Caderno de Emprego: Observatório de Políticas Públicas analisa o (Des)Emprego em Portugal

 


Estimativa da taxa de desemprego para Portugal chega a 9,3% no terceiro trimestre de 2009 

O Observatório de Políticas Públicas apresenta o primeiro Caderno sobre as estimativas da taxa de desemprego em Portugal para o terceiro trimestre de 2009, com base em dados oficiais, análises técnicas credíveis e imparciais da realidade observável. «O Caderno de Emprego do Observatório de Políticas Públicas espera, desta forma, contribuir para o desenvolvimento de uma política eficaz e sustentável de promoção do emprego», salienta Carlos Pereira da Silva, Professor do ISEG e Coordenador do Caderno Emprego do Observatório de Políticas Públicas. 


A estimativa do Observatório para a taxa de desemprego em Portugal relativa ao terceiro trimestre de 2009 demonstra que esta deverá situar-se nos 9,3%, ou seja, cerca de 1,5% acima comparativamente com o período homólogo de 2008. 
A taxa de desemprego, corrigida de sazonalidade, atingiu no segundo trimestre de 2009, os 9,3%, mais 0,5 pontos percentuais do que o registado no final do trimestre anterior e cerca de 1,8 pontos percentuais face ao período homólogo de 2008. 

O número de desempregados situa-se acima dos 519 mil, mais 124 mil do que o observado em Setembro de 2008. Ao analisar a taxa de desemprego em função do género, o Observatório concluiu que em Maio de 2009, mais de 10% da população activa feminina se encontrava no desemprego, o valor mais alto verificado nos últimos 22 anos, e em Agosto nos 9,6%. Na população masculina a taxa de desemprego apontava para os 8,6%, um acréscimo de mais de 2,3%, ou seja, quase 40% quando comparado com dados de Dezembro de 2004. 

De referir ainda, que um em cada cinco jovens com menos de 25 anos se encontra no desemprego, e também aqui, a população feminina é a mais afectada, com a taxa de desemprego a situar-se em Agosto de 2009, nos 19%. 

Em Portugal há  mais de 235 mil desempregados de longa duração, mais 14,5% face ao segundo trimestre de 2008. Só na faixa etária acima dos 40 anos registam-se mais de 50% de desempregados. O desemprego de longa duração em Portugal tem cada vez mais um carácter sistémico e estrutural, resultado de políticas públicas pouco eficazes. A competitividade laboral e económica aumenta de acordo com as qualificações dos trabalhadores e, Portugal é um dos países europeus, onde as baixas habilitações continuam a ser um grave problema.  

Aliás, quanto mais baixa é a qualificação dos trabalhadores, menor é o investimento na aprendizagem ao longo da vida, a qual, em Portugal é cerca de 50% da média europeia e pouco superior a 1/3 da taxa dos países desenvolvidos. Um problema que tende a tornar-se mais persistente nas PME. 

O Observatório de Políticas Públicas, à semelhança do que o Eurostat faz para outros países da União Europeia, conjuga os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), corrigidos de sazonalidade.


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