Dossier "Reforma e Democracia"

21/11/2008

Esta semana que passou foi marcada por um debate que nada tem de conjuntural na sociedade portuguesa: o papel do reformismo em democracia. Num momento histórico em que os projectos políticos revolucionários do passado já não têm curso, todas as forças políticas se reclamam de certa forma de algum tipo de reformismo. A própria crise financeira que vivemos veio sublinhar que o horizonte das forças mais radicais à esquerda já não é a ultrapassagem dialéctica do capitalismo, mas apenas a sua reforma socializante.

O consenso sobre o reformismo na sociedade portuguesa não criou, no entanto, condições para que as reformas concretas de que o País carece vissem a luz do dia. Em particular, o actual Governo tem conhecido sérios revezes no seu programa de reformas, de que o afrontamento com a classe profissional dos professores é apenas o episódio mais recente. Este aparente paradoxo sublinha a necessidade de se debater não apenas as reformas, mas também a reforma, isto é, o projecto e o acto de reformar. É com este prisma que a Plataforma Construir Ideias aborda esta questão, através das duas reflexões que hoje publicamos: "Cultura Reformista", da autoria de Rita Marques Guedes; e "O Valor da Democracia", de André Abrantes Amaral.